VERIFICAÇÃO CONTINUADA DE PROCESSO

VERIFICAÇÃO CONTINUADA DE PROCESSO

A verificação continuada de processo já não é novidade regulatória. Ela está inserida no modelo moderno de ciclo de vida do produto e é esperada como parte integrante de um sistema de qualidade maduro. Ainda assim, na prática, continua sendo um dos pontos mais mal compreendidos dentro da gestão da qualidade farmacêutica.

O conceito é direto. Após o desenvolvimento e a qualificação do processo, é necessário demonstrar, de forma contínua, que ele permanece em estado de controle. Isso envolve monitorar o desempenho do processo produtivo e a qualidade do produto ao longo do tempo, com base em dados reais de fabricação.

As diretrizes atuais de Boas Práticas de Fabricação já incorporam essa expectativa. Não se trata apenas de validar e manter registros. Trata-se de acompanhar tendências, identificar sinais precoces de variabilidade e agir antes que desvios se consolidem. O foco deixa de ser reativo e passa a ser preventivo.

O problema está na execução. Em muitos casos, a verificação continuada ainda é tratada como um exercício documental. Dados são compilados em relatórios periódicos, geralmente anuais, sem análise estatística consistente e sem conexão com decisões operacionais. Esse modelo cumpre formalidade, mas não sustenta controle real de processo.

Um sistema efetivo de verificação continuada exige estrutura. É necessário definir, com base em conhecimento de processo, quais são os atributos críticos de qualidade e os parâmetros críticos de processo que realmente impactam o produto. A partir disso, deve-se estabelecer um plano de monitoramento que inclua coleta sistemática de dados e aplicação de ferramentas estatísticas adequadas.

Outro ponto de atenção é a interpretação. Nem toda variação indica perda de controle. Processos possuem variabilidade natural, e a capacidade de distinguir essa variabilidade de um sinal real de desvio é o que diferencia um sistema robusto de um sistema apenas reativo. Sem esse discernimento, decisões tendem a oscilar entre complacência e excesso de intervenção.

Além disso, a verificação continuada precisa estar integrada à gestão de risco. Tendências identificadas devem alimentar revisões de risco, direcionar ações preventivas e, quando necessário, justificar reavaliações de processo. Isolada, perde valor. Integrada, se torna ferramenta estratégica.

A expectativa regulatória evoluiu. Não basta demonstrar conformidade pontual. É necessário evidenciar entendimento de processo e capacidade de mantê-lo sob controle ao longo do tempo. Isso implica em dados confiáveis, análise crítica e tomada de decisão baseada em evidência.

A verificação continuada já é um requisito estabelecido. A diferença está em como ela é conduzida, pois é um mecanismo ativo de controle. E é exatamente nesse ponto que a gestão da qualidade começa a se diferenciar.

Autor: Carlos Eduardo Rodrigues Costa

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