VOCÊ INJETA SUA AMOSTRA NUM SOLVENTE MAIS FORTE QUE A FASE MÓVEL?

VOCÊ INJETA SUA AMOSTRA NUM SOLVENTE MAIS FORTE QUE A FASE MÓVEL?

Pico com ombro inexplicável. Pico dividido. Resolução ruim entre compostos que deveriam estar bem separados. Você revê a coluna, o detector, a fase móvel, o sistema de bombeamento, e nada explica.

 

Mas, e se o problema estiver no solvente em que a amostra foi diluída?

 

A amostra deve ser dissolvida preferencialmente na fase móvel, ou em um solvente mais fraco. Caso contrário, efeitos como distorção de pico, perda de resolução e má eficiência são praticamente inevitáveis.

Sim, você pode estar sabotando sua própria análise, mesmo com tudo validado e calibrado, se não observar esse simples (e por vezes ignorado) detalhe.

 

Por que isso acontece?

 

A explicação está na física da cromatografia. Quando você injeta uma amostra diluída em um solvente mais forte que a fase móvel inicial (por exemplo, acetonitrila pura, enquanto o início do gradiente é 5% ACN), o analito sai “correndo” da cabeça da coluna antes de ser adequadamente retido.

 

Resultado?

 

  • Picos achatados, com ombro ou cauda;
  • Pico dividido (peak splitting);
  • Baixa reprodutibilidade;
  • Perda de seletividade;
  • E às vezes, a falsa impressão de que a coluna está com defeito.

E o mais preocupante: isso pode acontecer até mesmo em análises de compostos simples, apenas por erro no preparo da amostra.

 

O ideal é sempre diluir a amostra:

 

  • Na própria fase móvel inicial;
  • Ou em um solvente de menor força eluotrópica (por exemplo, mais aquoso que o início do gradiente).

Se não for possível, por questões de solubilidade ou estabilidade, sugere-se reduzir o volume de injeção para minimizar os efeitos: injeções de 2 a 5 µL, no máximo, quando se usa solventes fortes como diluente.

 

Diagnóstico: quando desconfiar do solvente?

 

Fique atento a esses sintomas:

 

  • Pico principal com frente larga ou bifurcado;
  • Pico pequeno bem na frente do principal (split);
  • Repetibilidade aceitável para o tempo de retenção, mas com alta variabilidade de área;
  • Mudança de perfil de pico sem mudança no sistema.

Se você vê isso com frequência, é hora de revisar a preparação das suas amostras.

 

A escolha do solvente da amostra pode parecer trivial. Mas é exatamente nesses pontos “invisíveis” que se revelam os profissionais atentos, que conhecem o sistema como um todo, do frasco ao detector.

 

Em vários casos, muitos problemas atribuídos à coluna ou ao sistema têm, na verdade, origem na amostra.

E o mais interessante: essa é uma das correções mais rápidas, baratas e eficientes que você pode fazer em HPLC. Basta mudar o solvente de diluição e ajustar o volume.

 

Você já enfrentou splitting de pico ou resultados inconsistentes que depois descobriu que vinham do solvente da amostra?

 

Autor: Carlos Eduardo Rodrigues Costa

Post Anterior Conceitos Básicos em Cromatografia Liquida | HPLC
Próximo Post VALIDAÇÃO DE PROCESSOS: a disciplina que sustenta a confiança em medicamentos
Deixe seu Comentário